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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

INTERCOM Curitiba 2009 - Comunicação, Educação e Cultura na Era Digital

Em 2009, Curitiba é a sede do XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, promovido pela INTERCOM.
Para aqueles que não estão familiarizados com o universo acadêmico da comunicação, uma breve explicação: a INTERCOM é a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. A instituição, sem fins lucrativos, participa também da rede nacional de sociedades científicas (capitaneada pela SPBC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e está integrada às redes internacionais de ciências da comunicação como a ALAIC - Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación, a IAMCR - International Association for Mass Communication Research, IFCA - International Federation of Mass Communication Associations e a Lusocom - Federação Lusófona de Ciências da Comunicação.
O tema deste ano, Comunicação, Educação e Cultura na Era Digital, suscita o debate acerca dos impactos e transformações nos modelos existentes de se pensar e fazer comunicação. Como profissional de comunicação, não poderia deixar de ir conferir, ao vivo e a cores, o que se passou nesses três dias de congresso.
A começar pela análise dos Grupos e Núcleos de pesquisa existentes atualmente e as temáticas por eles abordadas, tenho que dizer que se precisa ampliar e refinar a lista. São apenas oito divisões temáticas com variados números de sub-temas cada uma, porém, longe de serem suficientes para tratar das infinitas interfaces que podem se estabelecer no campo da comunicação. Contudo, em se tratando de uma área que sempre teve dificuldades em se delimitar, dada a sua natureza inter, multi e transdisciplinar, não chega a ser um espanto que tantas possibilidades tenham sido deixadas de lado.
Fica clara a opção da comissão organizadora do congresso, apesar do contemporâneo e desafiador tema proposto para este ano, pelas opções conhecidas e seguras, tais como: gêneros jornalísticos, história do jornalismo, teoria do jornalismo, publicidade e propaganda, fotografia, rádio e mídia sonora, relações públicas, produção editorial, cidadania, desenvolvimento regional e local, entre outros. Nada contra o tradicional, o já conhecido, muito pelo contrário: acredito que tem-se sempre que partir do conhecido para se tentar vôos mais arriscados; porém, o que preocupa não são as áreas temáticas em si, mas a seleção dos trabalhos para o congresso.
Pelo que me consta, um congresso serve justamente para se ter contato com o que há de mais novo, interessante e, por que não, arriscado, no que tange as pesquisas acerca de uma determinada área do conhecimento. Conceitos ligados à comunicação de massa atrelados à alienação política decorrente da televisão, à exclusão social, à perda da cidadania, à manutenção do poder, etc., repetidos à exaustão em apresentações, mesas-redondas, artigos e ensaios não têm nada de novo e interessante. É mais do mesmo, há mais de vinte anos!
Tudo bem que para quem é da área não é novidade que o desenvolvimento da comunicação, no Brasil, seguindo uma tendência Latino-Americana, se deu principalmente em torno da chamada Comunicação Social, em detrimento quase total da Comunicação Científica, relacionada aos aspectos mais áridos da ciência da informação. Mas, espera lá, é muito chato ficar assistindo a tantas manifestações pseudo-políticas quando, na verdade, deveria-se estar tendo contato com a nata do pensamento científico nacional.
No grupo de publicidade e propaganda (área sempre considerada a mais 'moderninha' e ousada da comunicação), o trabalho mais avant-garde apresentado tratava de comunicação integrada de marketing. Ora, as discussões acerca desse assunto já estão caindo de maduras no 'mundo real' do fazer da comunicação há pelo menos uma década. O que mais me espantou foi o fato do coordenador dos trabalhos exaltar a novidade do tema (?!). Ah, também vi a apresentação da análise da campanha 'Mamíferos', que, pelo amor de Deus, sem desconsiderar a importância do trabalho da DM9 para a Parmalat é mais antigo que Derci Gonçalves virgem, como diria um amigo meu.
Deixando um pouco de lado a minha faceta mais crítica, reconheço que a comunicação é uma área do conhecimento intimamente ligada ao fazer, à prática e ao exercício. Trata-se quase sempre de um 'pensar póstumo', e não o contrário, que pressuporia a tríade investigar - provar - conceituar, tão cara às ciências exatas e biomédicas. Portanto, tem-se que dar um desconto à academia por estar marcada por um certo atraso em relação ao mercado (note bem o que digo: um certo atraso, apenas). Contudo, não convém a esse mesmo mercado poder contar tão pouco com o material humano que sai das nossas universidades.
Falta de estrutura, aparelhamento ideológico, professores sofríveis, atraso tecnológico, pesquisas de relevância zero, entre outras mazelas sempre caracterizaram nossas universidades. Isso também não é novo. No mercado, colhemos, há anos, os resultados nefastos dessas combinações.
Concluo que, a INTERCOM, como instituição representativa do pensamento da comunicação, deveria se repensar urgentemente para que possa tornar-se realmente relevante para o país.